Friday, April 20, 2018

A Day of Words: Penedo da Saudade (Coímbra)

O Penedo da Saudade é un parque e miradoiro da cidade de Coímbra, construído em 1849, de onde se avista a parte oriental da cidade ata o rio Mondego, a serra do Roxo e a serra da Lousã. Está moi ligado á cultura coimbrá e á súa academia e divídese en dous espazos: A "Sala dos Cursos" e a "Sala dos Poetas".
Entre a vexetación van xurdindo como cogumelos placas conmemorativas de eventos ligados á vida académica e versos escollidos. Poemas de xuventude ou de senectude con bos augurios ou lamentacións e consellos en retrospectiva. A placa máis antiga deste xardín de tipoloxía romántica data de 1855.

Segundo a lenda, despois da morte de Inês de Castro,  Don Pedro adoitaba frecuentar este lugar para chorar a ausencia da súa amada, o que lle acabou dando o nome a esta área. Moitos séculos despois, as connotacións sobrevivido e foi escolhido polos/as estudantes como lugar para os encontros románticos e moitos aseguran que foi tamén o lugar onde naceu o fado de Coímbra, desafiando coas súas notas a eternidade das palabras gravadas na pedra. 

Independentemente do que elixamos crer, este promontorio é un lugar de quietude, sosego e melancolía cheo de recantos floridos, fontes e bancos que paga a pena visitar.



















Thursday, April 19, 2018

Hands in Poems: Ana García Negrete (III)


UN DESEO

Si algún deseo me concedieras,
pediría tu voz cuando me habla
tenuemente, templándose en mi oído
como un néctar que goteara lento.
Pediría tus manos en mi espalda,
sin prisa, a cada palmo
y luego andar sin que nos mire nadie.

Si antes quieres protegerte de mí,
no me preguntes, ya lo sabes,
retrocede,
aún es tiempo,
no sea que inocule en ti nuestro veneno
y del licor oscuro de mi sangre
no dejes de beber, no puedas nunca.

Wednesday, April 18, 2018

Words in Books: Caviar é uma ova

Sabes cando alguén cuxo criterio tes en alta estima vén e che recomenda un libro? A maioría das veces, vas de cabeza e mércalo. Outras veces a cordura recórdache que tes espazo limitado nos andeis e vontade de espartanismo, e pensas: "Bué, vou esperar, igual máis para adiante". Pero vén outro, cuxo criterio estimas tanto ou máis e diche: "Mira que está moi ben, é deses para conservar".... Mmm... comezas a pensalo dúas veces e iníciase o esvarón polo tobogán con destino ao "Paga a pena. Ben o merezo". E cando xa finalmente un libreiro che di que te vas botar unhas boas risas, é the last nudge e dis: "Veña, trae para aquí que este vén de volta comigo na maleta".

Así foi con Caviar é uma ova (2015). Caeu porque tiña que caer, ao estilo inevitable e fatídico das tapas do bar que ves de esguello ao pasar e che fan desandar o camiño.


Non é unha tapa calquera, porque se trata dunha escolma das crónicas máis interesantes de  Gregório Duvivierconsiderado un dos autores máis inventivos do Brasil na actualidade. Un libro tan polifacético como o home que o escribe: ator, roteirista, comediante, cronista e poeta.

Exótico coma un sushi bar, pola barra móbil desfilan ficcións, recordos de infancia, snippets de opinión, poemas, brincadeiras, exercicios de estilo tan breves tan breves que case son flash fiction.

Duvivier, o noso Itamae-san, vai sacando pratos á súa veleidade, despistando os nosos padais con flashbacks, condicionais, cartas, soños, mundos virtuais e reais de desigualdade, sexismo e brutalidade política.

Acelérase o ritmo da cinta transportadora, e cando xa tes os palillos dispostos a apresar un nigiri,  sóltache unha gulifada e recórdache que a intelixencia non é coma a salsa de soia, para mollar de cando en vez; senón coma o arroz: ingrediente indispensable.

"Quando passava, as pessoas se sentiam melhor. Passava tão sen intenção, tão sem objetivo, tão somente por passar, que parecia que estava tudo em ordem" (p.16) 

"Deve ter havido algum engano. Nosso filho não pode ter sido reprovado. Aposto que foi nessas matérias que ninguém se importa. Matemática, por exemplo, é  uma coisa muito subjetiva. Vocês estão dizendo que x não é igual a y. Se ele tá dizendo que é, aposto que é. Ou então, que ainda vai ser. Matemática é uma coisa que muda o tempo todo" (p.35) 

"Sou muito criterioso em relação á altura das pessoas com quem eu ando. Na amizade platônica, a pessoa tem a altura que você quiser. Você só tem os benefícios da amizade, sem aquela obrigação de ir no chá de panela ou liberar no Candy Crush" (p.37) 

"O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la" (p.55) 

"Hoje estou morando em um lugar agradabilíssimo, mas que insiste em me privar de caneta e papel, assim como das minhas mãos, que no momento estão presas em uma linda camisa branca de mangas longas (demais). Por isso te mando essa mensagem telepática, a que peço que responda telepaticamente, pois de outro modo talvez não chegue até mim. Sempre sua, Carmen" (p.66) 
NUANCES

(...)
"Depressão: tristeza de rico. Desespero: tristeza de pobre.

Eu te amo: quando se ama. Eu também: quando non se quer cometer uma grosseria.
Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa
Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.
Língua: dialeto de rico. Dialeto: língua de pobre.
Vocabulário: léxico de quem não tem muito léxico. Léxico: vocabulário de quem tem muito vocabulário" (pp.79, 80)

NEOLOGISMOS
(...)
"BIODESAGRADÁVEL: biodegradável porém malcheiroso.
DESMAGRECER: reengordar após ter emagrecido.
DIA FÚTIL: dia útil usado de forma inútil.
EX-QUECIMENTO: quando você pensou que tinha esquecido mas na verdade lembra que não esqueceu" (p.185) 
"A morte dos outros é um spoiler. Parece te revelar algo que você não sabia, ou fingia não saber sobre você mesmo: você vai morrer. Olhe à sua volta. Todo o mundo vai morrer. A vida é pior que Game of Thrones. Não sobra nem o anão" (p.113) 
"Palavras, percebemos, são pessoas. Algumas são sozinhas: Abracadabra. Eureca. Bingo. Outras são promíscuas (embora prefiram a palavra "gregária"): estão sempre cercado de muitas outras: Que. De. Por. 
Algumas palavras são casadas (...) Esse é o problema do casamento entre as palavras, que por acaso é o mesmo do casamento entre pessoas. Tem sempre uma palavra que ama mais (...)
Tal vez pra isso sirva a poesia, pra desfazer ledos enganos en prol de encontros mais frondosos" (pp.171, 172)

Grazas, amable libreiro da Bertrand (esquecín o nome!), e grazas Nacho Rodiño, por recomendarme o libro e por compartirme este vídeo "O Meio de Todas as Coisas". A tristeza como vontade de algo que aínda non inventaron. Difícil superar a definición.



Para saber máis:
  • Perfil en Twitter de Gregório Duvivier
  • Entrevista a Gregório Duvivier onde fala da sua paixão pela literatura
  • Entrevista en Livraria Cultura

Tuesday, April 17, 2018

Words in Poems: Ángel González (XII)

(1925-2008)

Estos poemas

Estos poemas los desencadenaste tú,
como se desencadena el viento,
sin saber hacia dónde ni por qué.
Son dones del azar o del destino,
que a veces
la soledad arremolina o barre;
nada más que palabras que se encuentran,
que se atraen y se juntan
irremediablemente,
y hacen un ruido melodioso o triste,
lo mismo que dos cuerpos que se aman.

En Antología poética (2016)

Monday, April 16, 2018

The Heart in Poems: Wafi Salih



naufraga en los suspiros

hay que construir
un corazón para el mundo
donde el silencio
no rompa los cristales

Sunday, April 15, 2018

Words in Poems: Nuno Júdice



O AMOR, DIZES-ME

Escuto o silêncio das palabras. O seu silêncio
suspenso dos gestos com que elas desenham
cada objecto, cada pessoa, ou as próprias ideias
que delas dependem. Por vezes, porém, as 
palavras são seu próprio silêncio. Nascem
de uma espera, de um instante de atenção, da
súbita fixidez dos olhos amados, como se 
também houvesse coisas que não precisam de
palavras para existir. É o caso deste sentimento
que nasce entre um e outro ser, que apenas
se adivinha enquanto todos falam, em volta,
e que de súbito se confesa, traducido em 
breves palavras a sua silenciosa verdade.

Saturday, April 14, 2018

Words in Poems: Luis Cernuda (IV)




OSCURIDAD COMPLETA

No sé por qué, si la luz entra, 
Los hombres andan bien dormidos, 
Recogiendo la vida su apariencia 
Joven de nuevo, bella entre sonrisas, 

No sé por qué he de cantar 
o verter de mis labios vagamente palabras; 
Palabras de mis ojos, 
Palabras de mis sueños perdidos en la nieve. 

De mis sueños copiando los colores de nubes, 
De mis sueños copiando nubes sobre la pampa.