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Tuesday, May 2, 2017

The Heart in Poems: Daniel Gonçalves (V)




o coração sabe, o ofício da poesia começa na tua mão, 
na voz que se ergue, dentro da chuva, o coração sabe,
outro olhar à mesa, com un outro nome, porque
uma sombra involuntária se acrescenta às palavras, o
coração sabe, os poemas com que a terra nos vê, o
céu no orvalho, com a sua oliveira, arrancada ao rosto
do verão, o coração sabe, o o amor está nas pequenas
coisas que esquecemos, que embaciamos na janela
aberta, para o tempo dos poetas, o coração sabe
da clara luz à escura noite, tudo arde, tudo é íntimo
dentro da cabeça, tudo chega de um verso, e todas as 
imagens provam un novo destino, uma inspiração a
sul, porque o coração sabe.

Monday, April 3, 2017

The Heart in Poems: Daniel Gonçalves (IV)



brindas á lua, agora que a solidão te abraçou, com
que verso dançarás no tempo infinito, que poema te
devolverá a doce embriaguez? anseias o contrário da
vida, como un rio antigo, na sua língua lenta, com
que sombra alcançarás o mar da eternidade, com que 
coração levitarás, entre os lótus verdes?

Thursday, February 23, 2017

Words in Poems: Daniel Gonçalves (III)



o amor é uma palavra, chega-me isso, se me falta o teu
corpo, se com ela chego aqui, arranjo espaço para me
sentar, e chamo por ti.



Thursday, February 2, 2017

Words in Poems: Daniel Gonçalves (II)



o amor é este poema ser estrado, estar muralla de
sentidos sem morada, inclinando para a noite, e
é esta distância equivalente, este pássaro de fogo 
ascendendo, este caminho veloz, correndo ao lado da
vida, o amor é esta fulguração, assim que as palavras
sobram, ardendo sen demão, quando caímos na luz
do poema, insistindo nesse lugar, onde deixamos de
supor o silêncio, nesse instante onde tudo é possível,
por dentro do amor, o pássaro de fogo.


Monday, January 9, 2017

Words in Poems: Daniel Gonçalves (I)



há um lugar submerso en cada poema, uma ilha ao
contrário, enraizando as palavras, até ao fundo da
escuridão, onde chove a luz de deus, e há o lugar
da magnólia, a vez dos outros poetas, como uma 
escadaria admirável, na eternidade da boca, como um
instrumento de sopro, mexendo nas cordas da poesia.


Saturday, January 7, 2017

Epitaphs (XI): Posthumous Letters in Moraime


"no represado novembro, no céu escutado, no frio
recente, há uma luz que o vento apaga, uma luz
que descore, ou uma palavra, perdendo o vasto
perfil da acentuação, um fruto que cai, um grito que
flui na loucura da terra, há o paraíso inviolável, um
pensamento que o toca, a ilha do sul, o clarão dos
presságios, o precipício encantado, o corpo sem
varandas, as pedras do rosto cegando pulso, há as
flores do mal, o emudecido lamento, e a morte que 
entra na epidemia do esquecimento, um tempo que se 
desfoca no amplexo do outono, e há sobretudo o salmo
do sufoco, a morte anunciada, o poema sobreposto, o
gesto transfigurado, o suspiro."






"A túa familia non te esquence" 

"Es propiedad de... Párroco de esta feligresía y deja prohibido tanto a herederos como a estraños
el que en ningún tiempo usen y usurpen esta propiedad"
(por se acaso, non vaia ser)
"Recuerdo de tus nietos de Francia"
Dous fillos. Mesmo nome. Tráxico final.